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29ª Bienal de São Paulo - Entrevista com Stela Barbieri


Como falar com 400 mil pessoas conversando com cada uma? Esta é a pergunta que Stela Barbieri, curadora educacional da 29ª Bienal, propõe responder com o Projeto Educativo. Na entrevista abaixo ela fala sobre as ações, conceitos e desafios da iniciativa.

Como foi pensado o Projeto Educativo?

O Projeto Educativo foi estruturado em três etapas, incluindo ações antes, durante e depois da mostra. As atividades antes da Bienal são divididas em três eixos: formação de professores das redes pública e privada da cidade de São Paulo, do interior e de outros Estados, formação de educadores de ONGs, integração de artistas com comunidades, formação de educadores para atendimento ao público durante a exposição e Seminário Internacional Educação, Arte e Política. Durante a Bienal, além das visitas orientadas, realizaremos programações específicas nos terreiros e nos nossos ateliês, voltadas a jovens, crianças e educadores. Após a exposição, pretendemos dar continuidade às parcerias estabelecidas e realizar itinerâncias em diversas localidades. Os conteúdos trabalhados nas formações são: noções gerais sobre a produção contemporânea, conceitos e artistas da 29ª Bienal, além de aspectos sobre arte e educação.

Que conceitos estão por trás do projeto?

O educativo da 29ª Bienal estrutura-se por meio dos seguintes princípios: a ideia da aproximação com a arte pela via da experiência, a noção de autonomia, a importância da troca e do diálogo e o respeito aos diferentes repertórios. Acreditamos que o trabalho com arte deve, sobretudo, respeitar o olhar de cada um e provocar mais incertezas do que verdades. Nesse sentido, a atividade educativa adquire uma dimensão política, ao estimular que todos entrem em contato com seu manancial criativo e inquietador.

A formação em outros Estados já tinha acontecido em outras edições?

A formação em outros Estados é um diferencial desta edição, ainda que em 2010 este não seja o foco do Projeto Educativo. Nossa atenção, no momento, está voltada principalmente para a capital e o interior de São Paulo. No ano que vem, sim, com as itinerâncias da 29a Bienal, a ideia é ampliar as ações em outras regiões. Quanto às edições anteriores, infelizmente não dispomos de um material histórico preciso que resgate a memória de tudo o que já foi desenvolvido pelos diversos profissionais que trabalharam nas ações educativas das Bienais. Quando iniciamos a concepção do Projeto Educativo da 29a, fomos ao Arquivo Histórico Wanda Svevo, que organiza a memória da Fundação Bienal, e encontramos pouquíssimas informações. A partir desse fato, realizamos uma parceria com a ECA, por meio da Prof. Dra. Cristina Rizzi, para que a história desses educativos fosse organizada e compartilhada publicamente. Esse material será disponibilizado tanto no Arquivo Wanda Svevo, quanto em nosso site.

Até o momento, quantos Estados participaram do projeto?

Até agora, já participaram de formações professores e profissionais que atuam com arte e educação de Porto Alegre, Curitiba, São Luís do Maranhão e Recife.

Qual é a meta, isto é, o número de professores que deverão participar das formações?

Ao todo, pretendemos trabalhar com 35 mil professores das redes municipal e estadual de São Paulo, além de educadores vinculados a ONGs e profissionais de outras regiões. Com isso, a meta é atender um público de 400 mil pessoas por meio das visitas orientadas, o que nos aponta pro grande desafio do projeto: Como falar com 400 mil pessoas conversando com cada uma?

De modo geral, o que já foi feito e o que falta fazer em educação para incentivar o interesse dos brasileiros pela arte?

A história da arte e educação no Brasil é muito rica e extensa. Há muitas experiências transformadoras tanto no ensino formal como no não formal. Cada vez mais, temos percebido que a presença da arte na escola tem deixado de ser apenas atividade acessória ou recreativa e adquirido corpo e conceituação. Porém, percebemos que o contato com a arte contemporânea ainda é frágil, pois muitos professores esperam encontrar referenciais específicos em obras de arte que mais abrem possibilidades e quebram definições do que apontam caminhos precisos para o olhar. Por isso, acreditamos que o professor é um agente fundamental na construção do encontro entre os alunos e a arte contemporânea. Entendemos que o professor envolvido, que investiga a arte e é atravessado por ela, tem plenas condições de criar ambientes de aprendizado e desafios coletivos, como demanda produção artística atual.

 

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